segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Petrolina e suas duas estações

Pra quem vai pro aeroporto, já deixando o centro, depara-se com um belo prédio: A Estação Ferroviária de Petrolina.

Construída em 1923 para a E.F. Petrolina-Teresina, a estação funcionou aparentemente até os anos 80, quando foi construído um viaduto sobre a linha para conduzir quem vinha da famosa ponte de Juazeiro para as zonas norte e oeste da cidade.

O aterro do viaduto ficou bem rente à estação, o que exigiu o sacrifício do pátio original. Foi feita uma linha nova por fora da estação em direção à ponte rodoferroviária Petrolina-Juazeiro (Presidente Dutra), ponte esta inaugurada em 1952 e que passa sobre o Rio São Francisco, unindo as estações de Petrolina em Pernambuco e Juazeiro na Bahia.

A estação está muito bem conservada e pintada. Hoje abriga o serviço funerário do município. Em seu entorno existe algum comércio popular, alguns hotéis bem antigos, bem como pontos de prostituição.

Quanto aos trilhos, existe apenas um trecho de linha por ali. No sentido da ponte ela desaparece, provavelmente arrancada ou coberta pelo asfalto. No sentido de Teresina, os trilhos aparecem, mas logo somem após algumas ocupações irregulares e aparecem de novo próximo da estação nova de Teresina.

Esta estação nova de Teresina parece ser bastante moderna, está muito bem cuidada, parecendo que espera a vinda do trem, cujo destino foi cuidado pelo serviço funerário instalado na estação antiga. Após ela, sentido Teresina, não existe mais linha - parte soterrada e parte arrancada.

Abaixo as imagens (fotos: Rodrigo Cabredo set/2010)

Ao sul do Rio São Francisco, Juazeiro na Bahia; ao norte, Petrolina em Pernambuco.
 
A localização das estações em Petrolina.

Fachada da estação antiga.

Outra vista da fachada da estação antiga.

Estação encontra-se em bom estado, toda restaurada.

Detalhe da plataforma e veículos fúnebres.

A linha nova tangenciou o antigo pátio da estação, ocupado agora pelo aterro da ponte. Vista sentido Juazeiro (ponte).

Outra vista sentido Juazeiro, com a ponte ao fundo.

Vista sentido Teresina.

Panorama da estação e sua plataforma.

Vista a partir da plataforma.

Estação nova de Petrolina.

Detalhe da plataforma e da linha semi-enterrada.

A estação muito bem conservada.

O local da estação marca um imenso vazio bem no centro de Petrolina.

Vista do "Velho Chico". 

domingo, 15 de agosto de 2010

Locomotiva de 1891 sofre em São Carlos!

Neste 14 de agosto fui a São Carlos conferir o 14o Encontro de Ferreomodelismo promovido pela Frateschi.

Encontro bacana, havia muita gente, estava bem organizado e animado. Achei apenas estranho uma composição parada com as locomotivas ligadas e nem sinal de maquinistas ou alguém da ALL. Homens, mulheres e crianças subiam, entravam na cabine, tiravam fotos...Meio perigoso isso não?

Bom, não resisti e acabei comprando alguns isotérmicos recém relançados para comemorar os 40 anos do início da produção dos mesmos pela Frateschi.

É muito gratificante ver um pouco da memória ferroviária perpetuada por estes pequenos trens. Muito bom ver jovens e crianças se interessando por eles.

Num passado não muito distante, passava por aquela estação acomodado num confortável Pullman Standard contemplando o belo edifício...A euforia era tanta que nem imaginava que tudo seria sucateado.

Estas fantásticas miniaturas ajudam a trazer a memória visual disso tudo de volta e mostram pra essa meninada, a maioria ainda criança à época da hecatombe das ferrovias, como era fantástico e diverso o mundo das paralelas de aço.

Meus parabéns à Frateschi. Por estes encontros e por me ajudar a relembrar aqueles bons e não muito velhos tempos!

Mas o motivo principal que me faz escrever este post é o estado em que se encontra uma raríssima e antiquíssima locomotiva da Companhia Paulista, a de número 821, fabricada pela Baldwin em 1891 - isso mesmo, ela tem quase 120 anos!!!!!!!

Com certeza, é uma das BLW mais lindas que eu conheço. Ela tem muito estilo, com destaque para os domos característicos das máquinas do séc. XIX e pelo charmoso 4-4-0 com as motrizes mais distanciadas. Uma beleza!

Está colocada em uma praça pública, chamada Praça Brasil, entre a 7 de Detembro e a Marechal Deodoro, sob uma cobertura e cercada por um alambrado.

Pois bem, o alambrado foi rompido e a locomotiva começa a ser vandalizada, como demonstram as fotos abaixo.

Atravessei o alambrado sem dificuldade para tirar as fotos e pude notar que, apesar de estar bastante completa (sinos, placas, apito, números, etc) já começa a sofrer ação de vandalismo. Além de ter recebido pichações dentro e fora da cabine, a velha máquina foi transformada em sanitário, pois a sua cabine exala forte cheiro de urina e fezes.

Existe um suporte de cimento para uma placa comemorativa ou explicativa. Só o suporte mesmo, porque a placa já foi furtada. E quem arranca uma placa de dentro de um monumento pode roubar um sino, um apito, placas do fabricante de da companhia...

Puxa, que falta de respeito com este patrimônio tão importante...Uma locomotiva de 1891 transformada em sanitário público e à mercê de vândalos e gatunos!

Sem dúvida, mancha a imagem de uma cidade tão vanguardista como São Carlos, hoje condiderada um dos maiores polos de tecnologia brasileiros.

Abaixo, imagens da visita, clique para ampliar. (fotos Rodrigo Cabredo, 15/ago/2010 e Google Earth)

Localização da locomotiva na Praça Brasil (dir) e localização da estação de São carlos (esq).

Praça Brasil e local onde encontra-se a antiga loco.

Baldwin da Companhia Paulista de Estradas de Ferro c.1891.

Alambrado arrombado coloca em risco a velha máquina.

Placa explicativa ou comemorativa já foi furtada.

Uma falta de respeito com o patrimônio, não há o que comentar.

Esta locomotiva vai fazer 120 anos de existência!!!

Detalhe dos lindos domos característicos das locomotivas do século XIX. Pode-se ver à direita que uma das placas do fabricante já foi covardemente furtada.

Farol já semi-destruído junto ao gerador de energia.

Dá vontade de vê-la circulando na linha...

821 é o número dela.

A cabine com inscriçoes e muito, muito odor de urina e fezes. Um sanitário público de 1891! Que luxo!

Belíssima placa do fabricante - e única restante - entrega a idade da senhora: Nascida em 1891.

Sinos, apitos, macaco, placas...Estarão lá por mais quanto tempo?

Uma das BLW mais lindas que existem!

Charmoso distanciamento entre as rodas motrizes.

Antônio Carlos de Arruda Botelho (Barão, Visconde e Conde do Pinhal), fundador de São Carlos do Pinhal (atual São Carlos) faleceu em 1901, quando esta locomotiva já trabalhava há 10 anos por estas terras!!!

sábado, 7 de agosto de 2010

A primeira estação ferroviária do Brasil

A estação de Guia de Pacobaíba é repleta de magia. Com o nome de Mauá, foi a primeira estação de trem do Brasil, inaugurada em 30 de Abril de 1854. Por casa disso o dia do ferroviário é comemorado em 30 de Abril.

A estação está em um aterro que avança um pouco sobre o mar, no caso o fundo da baía da Guanabara, em uma localidade conhecida como Mauá, que acabou emprestando o nome à estação, hoje pertencente ao município de Magé.

Irineu Evangelista de Souza, que construiu a ferrovia, foi titulado como Barão de Mauá pelo Imperador Pedro II no dia da inauguração. Em 1874 recebeu o título de Visconde de Mauá.

Foi a partir de 1945 que a estação de Mauá passou a se chamar Guia de Pacobaíba.

Situação atual:

Quem passa desapercebido pela Avenida Roberto Silveira em Magé nem imagina que bem próximo dali estaria a primeira estação do Brasil e onde o primeiro trem circulou. Apenas os moradores sabem, e nem todos. Não existem placas, nem indicações. Encontrei o terreno porque vi um grande depósito de tubos e havia visto em fotos que a estação estaria ao lado de um depósito como estes.

A entrada é uma passagem estreita, de terra, por onde não entra carro. Bem perto da avenida existem as ruínas de um girador de locomotivas. Seguindo um pouco mais é possível ver um sinal de bandeira antigo, uma casa de telegrafista de 1916 da Leopoldina, um suporte de caixa d´água e a estação ao fundo.

A área onde seria o pátio foi invadida por construções. A empresa que guarda os tubos "englobou" a casa do telegrafista e sua cerca passa bem rente à estação. Uma parte dos trilhos foi arrancada e o restante está abandonado. Aliás, tudo ali está abandonado.

Pelo estado da estação, parece ter recebido várias restaurações e reformas. O curioso é que não existe entrada do lado da "rua" e, sim, apenas da plataforma. As portas e janelas são de madeira mais recente. Tudo está trancado com cadeados. Há um suporte de concreto para uma placa comemorativa, que foi  furtada. A alavanca do sinal de bandeira também foi furtada. A caixa d´água idem.

Gostaria de ter fotografado o cais de ferro, mas não foi possível pois no momento haviam algumas pessoas consumindo drogas no local. O cais está todo podre devido à falta de cuidado e à ação da maresia.

A região é muito bonita, porém muito estragada pela poluição da baía e pela ocupação desordenada do entorno da estação. O silêncio só é quebrado pelo barulho da água e pelo barulho dos aviões que chegam e saem do Galeão.

Apesar de toda degradação, o lugar é mágico. Não há como não parar e remeter-se por alguns momentos àquele longínquo 30 de Abril de 1854 e imaginar os discursos, a atmosfera, as pessoas e os sonhos do Brasil Imperial naquele pedaço de terra. Á partir daquele momento a ferrovia passaria a transformar o país.

Um local de importância histórica, cultural, científica, etc etc como este não deveria estar no estado em que se encontra. É um sítio valiosíssimo e deveria ser cercado e seriamente preservado. Uma pena que seja assim e que esteja sendo destruído pouco a pouco.

A seguir, fotos da visita. (fotos: Rodrigo Cabredo, Agosto/2010, imagens Google Earth)

Imagem de satélite atual mostra todo o conjunto, incluindo o cais de ferro.

Entrada estreita e discreta, sem placas ou cuidados dá acesso à 1a estação do Brasil.

Girador de locomotivas em ruínas junto à avenida.

Visão geral do conjunto arquitetônico.

Foto do local tirada provavelmente no final dos anos 70, início dos anos 80 extraída do livro " Lembrança do Trem de Ferro" de Pietro Maria Bardi.

Foto do local em ângulo semelhante mostra que mudou...pra pior. Compare com a foto anterior, os prédios históricos foram invadidos por cercas e construções.

A empresa de tubos "englobou" a casa da Leopoldina Railway de 1916.

Um detalhe da bela casa.

Antigo - e raro de se ver - sinal de bandeira.

Detalhe da bandeira do sinal.

Acionador do sinal de bandeira: A alavanca foi furtada.

Guia de Pacobaíba com a baía de Guanabara ao fundo.

Suporte de placa comemorativa onde a mesma foi furtada.

Detalhe das linhas, há um terceiro trilho.

Face sul da estação.

Estação com vista da plataforma.

Dístico da estação.

Um lugar bonito apesar da imensa degradação.

Ironicamente uma placa chama atenção para algo que não existe. Não há trilhos nem a faixa da linha.

A placa lembra uma outra que existe na Rodovia Bandeirantes que avisa: "Você está atravessando o Trópico de Capricórnio".